Finalística, causalística e programática
O texto do filósofo Flusser "Nosso programa" aborda três conceitos bem importantes sobre as ações que acontecem no mundo, sendo elas a finalística, a causalística e a programática.
A princípio, o autor diz que que a finalística foi a primeira a surgir no universo e ela carrega a ideia de que o mundo é regido por um propósito maior e, por isso, todos os eventos que ocorrem são motivados e predeterminados para realiza-lo. Então tudo que for realizado terá acontecido para conquistar esse objetivo final. Esse conceito coloca, consequentemente, a liberdade dos humanos em risco, uma vez que tudo que acontece no universo já foi predestinado, não deixando ninguém ter liberdade de escolha.
Além disso, há também a causalística que segue a mesma linha da finalística em relação a liberdade, mas nesse caso ainda é gerado uma falsa ideia de que ela existe. Esse conceito traz a noção de que todo evento é uma sucessão de causas e consequências, levando a um destino já estabelecido. No entanto o acontecimento em si é um mistério, já que há várias possibilidades de escolhas para chegar no objetivo final. Isso gera afinal uma noção falsificada de que as pessoas têm controle e podem escolher e agir livremente, sem interferência do destino, sendo que as suas ações já foram determinadas no passado.
Por fim, ele aborda sobre a programática, em que tudo que acontece é fruto do acaso. Todos os eventos que ocorrem e que parecem ter um propósito, na verdade, acontecem por acidente dentre inúmeras possibilidades Assim, não tem nenhum final certo ou errado e, finalmente, o ser humano passa a ter a total liberdade sobre suas ações, superando a ingenuidade existente.
Para ser possível compreender todos esses conceitos do Flusser, foram realizadas três dinâmicas no pátio da faculdade com a participação de todos os alunos. A primeira delas aborda sobre a finalística, uma vez que havia uma fileira de pessoas, uma do lado da outra, e elas tinham que ir se movendo a cada palma que o professor dava, tendo um objetivo final que era formar uma fila organizada da menor para a maior pessoa da sala. Já as duas últimas utilizavam o recurso de transmissão de movimentos, em que cada pessoa deveria escolher sua função (horizontal e diagonal) e encostar na outra a partir dessa escolhida. Assim, pode-se dizer que a primeira era causalística, porque, ao formar um círculo, os alunos deveriam passar sua informação a partir da função escolhida e através do toque (cada um na sua vez). Dessa forma, o movimento de cada pessoa dependia do movimento realizado pelo indivíduo anterior, tendo uma certa relação de causa e consequência. Então, na última dinâmica, todo mundo ficou espalhado pelo pátio e quatro pessoas foram escolhidas aleatoriamente para iniciarem o movimento. Depois, esses escolhidos andavam, selecionavam qualquer um que eles quisessem e continuavam andando até parar onde sentiam vontade. Assim, foi formando uma ciclo em que diferentes pessoas iam tocando em outras de forma totalmente aleatória, sendo por fim um exemplo da programática, já que tudo ocorre devido ao acaso e se fossem repetir essa atividade, haveria resultados diferentes do anterior e super aleatórios. Ao final, foi possível compreender bem melhor os conceitos ditos pelo filósofo e de uma forma bem descontraída e divertida.
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