Filosofia da caixa preta: pontos mais impactantes
Autor: Vilém Flusser / Livro: Filosofia da caixa preta
O livro de Flusser é responsável por fazer uma crítica em relação a fotografia, ao aparelho e ao modo como as pessoas lidam e o utilizam. A princípio, é importante citar que, apesar do livro ter sido escrito na década de 80, época em que haviam poucas câmeras fotográficas, a temática é muito coerente e se encaixa perfeitamente na atualidade, uma vez que as novas tecnologias e os novos aparelhos então dominando a humanidade. Pode-se falar que a fotografia surgiu como uma representação entre 2 das 4 dimensões, sendo definida como uma forma de criação de uma nova realidade e servindo, assim, como forma de orientação do homem no mundo, já que são responsáveis por representarem eventos por meio de cenas. No entanto, o Flusser mostra que, com o passar do tempo, as pessoas foram esquecendo o real objetivo por traz das imagens e começaram a torná-las banais, tirando várias fotos de forma automática em diversos momentos sem ter uma visão crítica e o controle absoluto da situação e fazendo isso, consequentemente, perder o seu valor e seu significado. Dessa forma, passa-se a perceber que os seres humanos se tornaram alienados ao processo de criação, começam a substituir a realidade pelos pequenos instantes e acabam se tornando meros funcionários a serviço do equipamento. Essa espécie de submissão involuntária e manipulação da câmera sobre os indivíduos ocorre, porque, segundo o filósofo, a fotografia é como se fosse uma "caixa preta", ou seja, a maioria das pessoas não conhecem e não entendem o processo de formação e criação de uma imagem dentro de um aparelho fotográfico. Então esse aparato de fotografia que era para ser apenas um instrumento utilizado para permitir uma maior visibilidade pelos humanos, torna-se uma maquina em que o homem passou a viver em função dela. Assim, como forma de solução, o autor fala que deve-se "abrir essa caixa" para a sociedade participar e entender esse processo, livrando-se das amarras desses aparelhos e os usando de forma consciente. A partir disso, o fotógrafo livraria desse feitiço que o afasta da realidade e poderia realizar e experimentar fotografias criativas e inéditas de forma crítica, lutando contra os programas da indústria e finalmente alcançando a real liberdade do homem.


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